Sempre achei, desde que iniciei na fotografia de família há alguns anos de forma ainda tímida, que a minha fotografia de família poderia ser mais interessante. Apenas sentia, naquela época, que a fotografia de família no Brasil também poderia ser mais emocionante e profunda. Eu acreditava que as famílias brasileiras eram e são merecedoras de registros em que as memórias são bem mais importantes que a estética. Basicamente, a fotografia documental de família se difere da fotografia convencional de família por algumas características bem peculiares que aqui pretendo resumir para facilitar o entendimento.

1. Intenção das sessões

Na fotografia documental, o fotógrafo busca contar parte da história dessa família. Seu objetivo e compromisso é maior com a memória e menor com a estética. Em termos práticos, ele precisa se conectar e fazer com que a família o acolha para que ela possa se sentir mais a vontade com a sua presença e permitindo assim que ele registre momentos do seu cotidiano.

2. Duração das sessões

Na fotografia documental de família o tempo de duração das sessões é maior que em sessões tradicionais, para que o fotógrafo tenha tempo de vivenciar esses momentos a serem registrados. Há fotógrafos que fazem sessões desde 12h até uma semana de duração. Isso vai depender do orçamento do cliente e do quão profundo o fotógrafo quer esses registros.

3. Direção

Na fotografia documental de família a direção não tem a tanta importância. Lembrando que se o fotógrafo tem mais tempo para vivenciar, observar e registrar os momentos, passa a fazer menos sentido a necessidade do mesmo de criar os momentos durante o ensaio.

Agora que falei das três principais diferenças entre essas duas vertentes da fotografia de família, voltamos a minha história.

Me sentia aflito com o que realizava nas sessões de família e comecei a pesquisar fotógrafos de outras localidades. Eu precisava fazer algo em relação a minha fotografia. Estudei então o trabalho de:

Sally Mann – http://sallymann.com/selected-works/family-pictures
Kirsten Lewis – http://www.kirstenlewisphoto.com/
Alain Laboile – http://www.laboile.com/

Esses três grandes fotógrafos foram a centelha para meus primeiros trabalhos documentais de família no final de 2013. Eu não tenho me dedicado exclusivamente para a fotografia documental de família nesses 5 anos mas desde essa época, tenho feito alguns trabalhos e tenho desenvolvido a minha linguagem documental na fotografia de família por ter certeza de que ela, em algum momento, seria a minha bola da vez. Sim, chegou a hora!

A partir de 2014/2015 alguns outros fotógrafos brasileiros, também inspirados por fotógrafos estrangeiros, iniciaram um movimento de disseminação da “nova fotografia documental de família” em nosso país. Dentre eles gostaria de destacar aqui os fotógrafos Irmina e Sávio, Daniel Freitas e Renato de Paula. É claro que existem outros nomes mas esses quatro, na minha percepção, foram os principais porta-vozes da fotografia documental de família desde 2014. Peço desculpa aos outros vários que existem mas acredito que esses quatro, além de fotógrafos, foram os principais educadores, que influenciaram e contaminaram centenas de outros fotógrafos com esse novo conceito. Palmas, pois eles merecem!

De volta a minha história. Entre 2014 até o ano passado, passei por momentos difíceis na minha vida pessoal. Enfrentei uma separação, que não foi nada fácil. Vivenciei um processo de reaproximação da minha família (toda família desde papai, mamãe, cachorro, vovó, titía, etc…) que ainda vem acontecendo mas que me permitiram ligar os pontos e reformular a minha trilha de vida. Sempre acreditei que um ser humano deve acordar e ao menos tentar entender o porquê de estar vivo. Para entender meu propósito tive que me acalmar, recolher, me calar e tentar ouvir as minhas vontades, meus medos, instintos e amigos. Como foi difícil mas libertador ao mesmo tempo. Tive que sumir das redes sociais, parei de escrever, sair dos holofotes para vivenciar uma tempestade de 4 anos, sando dela “vivinho da silva” mais experiente, mais humilde e mais feliz.

É sempre muito difícil desapegar de antigos conceitos e ideias. Foi difícil assumir para mim mesmo que mais um ciclo chegava ao fim. Eu já não me via mais como fotógrafo de casamento e custei a assumir que seria apenas fotógrafo de casamento dos meus amigos e passaria a me dedicar profissionalmente com mais fervor e dedicação a fotografia documental de família. Vou explicar melhor, para que fique claro. Sei que é complexo.

Desde 2006 tive o meu nome associado à fotografia de Casamento e sei o quanto tenho participado da fotografia de casamento no Brasil desde então. Foram 11 anos como fotógrafo de casamento e não me arrependo um minuto do quanto me dediquei aos casamentos pois graças a eles estou hoje aqui. Foram muitas conquistas, alegrias, vitórias, viagens, mais de 350 casamentos, porém após 11 anos eu sentia desmotivado e culpado, Desmotivado pois precisava de novos desafios, o meu ciclo de casamentos chegava ao fim e eu não queria fotografar apenas por fotografar. Eu não queria desapontar ninguém e muito menos fotografar apenas por dinheiro. Culpado por achar que eu não tinha o direito de abrir mão da carreira de fotógrafo de casamento depois de tudo que havia feito. Foram várias sessões de terapia até a feliz conclusão de que o meu propósito de vida havia mudado e que toda a experiência que acumulei nesses 11 anos intensos, não se apagaria. Além disso todo esse conhecimento seria extremamente útil para alavancar outros inúmeros talentosos fotógrafos de casamento dentro e fora do país como COACH e PROFESSOR.

Em 2017 passei um “ano do cão” digerindo esse meu novo propósito de vida. A partir de outubro aceitei que não tinha mais como adiar algumas decisões, muito duras por sinal, para a partir daí, me sentir livre e energizado para iniciar esse novo ciclo de prosperidade em minha vida.

Vinícius: “fotógrafo de casamento dos amigos”

Vinícius: Coach, Professor / incubador de talentos na fotografia de casamento e família.

Vinícius: fotógrafo documental de família.

Como me sinto bem e livre, com mais vontade e brilho nos olhos. Desde então tenho acordado mais cedo na ânsia de aproveitar cada minuto do dia. A meta agora é continuar fotografando os casamento dos meus amigos, o que me deixa livre, na maioria dos finais de semana para me dedicar mais aos meus familiares, amigos e aos projetos sociais que faço parte. Além disso, me sobrou mais tempo para me preparar e investir na formação de novos talentos na fotografia de casamento e claro, para fotografar as famílias no conceito documental.

É a primeira vez que venho a público para me apresentar como fotógrafo documental de família. Já me acostumei com a ideia. E de lambuja, além de profissão, a fotografia documental de família tem sido para mim uma terapia alternativa. A medida que eu convivo, observo e registro essas famílias, ganho a oportunidade de aprender muito com as mesmas e de entender o quanto posso melhorar a minha relação com aqueles que me cercam.

Se você tem interesse em ser fotografado por mim dessa maneira e deseja uma proposta, te garanto que vale a pena, não é caro e que me dedicarei para lhe proporcionar memórias que fiquem para as próximas gerações. Agora se você deseja aprender e saber como eu faço esses registros, clique aqui e saiba mais sobre meu workshop Memórias de Família no qual falo de fotografia documental e convencional de família.

Para finalizar aqui essa texto de desabafo, esperança e muita vontade, quero compartilhar aqui um pouco da família Campello, a qual tive o prazer de acompanhar durante 12h na semana passada aqui em Belo Horizonte.

 

Obrigado a todos e tenham um bom dia!

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