Há algumas perguntas que me faço constantemente. O que me motiva no meu trabalho? Por que fot0grafo pessoas?

O comportamento humano é algo que me fascina. Quando criança me chamavam de distraído e “vuado”. Tudo isso pelo simples fato de ficar em constante estado de catarse observando as pessoas. Ainda sou assim, passo as vezes horas em aeroportos e lugares públicos tentando decifrar alguns indivíduos que por algum motivo me chamam a atenção.

Cresci com esta impressão ruim de mim mesmo até perceber que a minha “distração” não era tão ruim assim. Quando comecei a fotografar enxerguei uma oportunidade de colocar no papel, detalhes que eu percebia na personalidade de muitas pessoas. Não sou psicanalista, psicólogo nem nada do gênero mas gosto muito de ler e interpretar a mensagem que o outro tem para mim e para o mundo. Mensagens muito mais visuais que sonoras. A cor ou a altura do sapato, detalhes da roupa, corte de cabelo, expressões faciais, gestos, olhares, modo de caminhar, tiques nervosos, suor, frequência respiratória, jeito de dançar, bocejos, espirros, olhos fechados, pressa, cara de medo, sorrisos, risadas, gargalhadas, aplausos, gritos, cor do esmalte, modelo do telefone celular, camisa pra dentro e gravata clássica. Assim as pessoas seguem me dizendo a todo momento o que são ou o que pretendem ser um dia.

É difícil explicar com palavras o que enxergo. É mais prático contar em imagens e tentar levar os que as vêem, a reflexão. Como fotografo me sinto um intérprete alheio. Tenho a oportunidade de mostrar para os outros um pouquinho daqueles que participam de suas vidas. Sejam pais, familiares, amigos ou prestadores de serviços, muitas vezes revelando nuances nunca antes percebidos por eles.

Para enxergar além do ordinário é necessário sair do piloto automático da vida.  Preciso me esforçar, baixar a guarda, controlar meus preconceitos, me mover, escutar, sentir cheiros, observar muito, sorrir e muitas vezes  me calar. Esta é a parte mais difícil pois falo muito. Fotografar é utilizar os 5 sentidos, aliás os 6. Não menosprezo a minha intuição. Tenho aprendido a utilizá-la e digo, funciona.

Bem, vamos voltar a pergunta inicial, o que realmente me motiva ?

A minha recompensa vai muito mais além de um álbum de fotografias. Me reconheço naqueles e naquilo que fotografo. Quanto mais clico mais certeza tenho de que este convívio com os fotografados  me gera muitos frutos. Aprendo através daquilo que eu enxergo neles, a me observar também. Percebo melhor meus defeitos e qualidades. O ato de fotografar para mim é me olhar no espelho. Segue abaixo então um pouquinho de mim.

E aqui se despede o já não mais menino mas ainda muito ” vuado” com uma pergunta…

O que mantém a sua chama acesa?

Meus agradecimentos ao casal Aline e Danniel.

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