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Acabei de ler este texto do fotógrafo Robert Hughes, atual presidente da associação dos fotógrafos profissionais de Ohio, nos EUA e selecionei algumas partes que na minha visão são bem interessantes.

Lembrando que este texto é pra quem tem estômago forte. Sei que vai tirar muita gente da zona de conforto. O mercado da fotografia em DVDs é enorme no Brasil, por isso fica sempre a dúvida: o fotógrafo entrega o DVD porque o cliente não quer pagar ou o cliente não paga mais por que o fotógrafo não sabe fazer o restante do processo?

Cada um interpreta de uma forma. Eu sempre sigo a linha de raciocínio que se há algo de errado em meu negócio, a culpa é minha, eu preciso mudar e não o mercado. Espero continuar assim sempre.

Voltando ao texto, ele é bem forte mas de uma objetividade e lucidez incríveis. Vamos lá…
Considerações sobre os fotógrafos “queimadores de DVD”.

Existe um grupo de fotógrafos que se intitulam profissionais, mas que competem unicamente no preço. Aquele grupo que fotografa e logo já queima a imagem em um DVD. A verdade é que este fotógrafo, normalmente, não quer nenhum contato com o seu cliente. Na maioria dos casos ele não tem o conhecimento, talento ou experiência para formular estratégias de negócio convincentes ou para executar uma pós produção de alto nível que permita imprimir suas imagens com qualidade.
As palavras da Martha Blachfield no seu recente artigo para a revista “Studio Photography Magazine” diz tudo….

“Ter o seu casamento fotografado e receber apenas um DVD é o mesmo que receber apenas o tecido do seu vestido de noiva sem que o o mesmo esteja pronto”.
Os fotógrafos queimadores de DVDs realmente não se preocupam em entregar um produto bem acabado e profissional. Tudo que eles querem é se livrar da responsabilidade de ter que continuar com o trabalho duro que vem logo após a captura das imagens. A estratégia shoot and burn, como é chamada em inglês, não faz com que os noivos economizem dinheiro. Ela só coloca a noiva em um mundo em que ela não conhece nadinha, o mundo da impressão de imagens.
Quando então o cliente descobre o trabalho que terá para finalizar o trabalho, o fotógrafo queimador de DVD já se foi e ganhou dinheiro fácil.
Fotografar e queimar o DVD é mais ou menos assim: “Eu faço parte do trabalho se você descobrir como fazer todo o restante.”

Esta abordagem gera incontáveis horas de frustrações para o cliente (vítima) o qual tenta desesperadamente imprimir as imagens com qualidade decente.
Tempo e dinheiro não devem ser poupados mas sim investidos no conhecimento de papéis e tintas, nos perfis de cores, educação, manuais, softwares e color management. (…) Você pode decidir viver uma vida inteira com qualidade profissional e imagens significantes ou simplesmente viver desesperadamente tentando gostar de algumas imagens que poderiam ter sido feitas de forma profissional.

A escolha é sua!

Robert H. Hughes Mestre em Fotografia Certificado pela MEI., CR., ASP e PPA

Se alguém desejar ler o texto na íntegra, basta fazer download do seu PDF, aqui.

Comentários

Bom, vamos aos comentários.
Não sei prq, mas já li algo parecido com esse texto, mas seu post é bem antigo e o tema ainda é recente.
Concordo com a crítica d q estão “prostituindo” o mercado da fotografia. Mas essa vem sendo semeada desde os primordios da fotografia digital, antigamente na fotografia analógica o fotógrafo vendia fotografias, seus albuns, molduras, posteres e etc. A partir da fotografia digital, popularizou-se a fotografia e banalizou-se o trabalho artístico do fotógrafo. Hj em dia qualker pessoa tem em seu telefone ou em seu bolso algum tipo d equipamento d captura d imagem, o q trouxe ao publico em geral a falsa idéia q qualker pessoa pode fotografar.
Junto também à fotografia digital vieram novos conceitos sobre o profissional fotógrafo, e junto à novos conceitos novas necessidades.
Eu particularmente associo em meu trabalho técnicas novas e antigas e também algumas práticas como:

Não precifico meu trabalho por hora, precifico pelo trabalho fotográfico, na reunião inicial apresento varias opções de fotolivros e formatos e a qtde d tempo q irá durar a cobertura e a qtde d fotos q serão entregues impressas.
Dessa forma não deixo margem para que o cliente pense q está pagando por hora e q tudo o q eu faça nestas horas eu devo apresentar. E também vendo o produto final q são as impressões, caso o cliente queira somente o DVD, para casamentos eu não faço, mas outros ensaios faço mas como se fosse o book digital, msm qtde d horas e imagens contratadas. O valor tb é diferente.

Não faço venda casada como disse um colega, tanto q cobro o preço d custo das impressões, somados claro os custos d envio e etc.
Também qdo faço o DVD desconto do preço final somente o custo das mesmas, mas sempre acabo vendendo um banner uma plotagem d parede ou outro tipo d impressão d grandes formatos, isso acontece muito nos ensaios Teens.

De um modo geral valorizo sempre o meu trabalho e a minha prestação d serviços artísticos q é a parte diferenciada do meu trabalho, haja vista q impressão qualker um faz, mas bom trabalho depende d bom profissional.

Faço o tratamento mínimo das imagens pois procuro ao máximo q meus clicks sejam feitos d forma q não haja necessidade d grandes correções, deixo bem claro q não modifico as características das pessoas fotografadas (rugas, imperfeições e etc serão mantidas), trabalho com otimas maquiadoras para melhorar a qualidade da imagem.

Concordo em ser contra a queima d DVD sem q haja o trabalho profissional, mas sigo as exigências do mercado.

Espero ter contribuído.

Abraços e boa sorte à todos.

Olá Vinícius, parabéns pelo artigo!

Fala-se muito em picaretagem no Brasil mas isso é algo que existe em toda parte do mundo, vivi na Europa 13 anos e sempre foi muito claro para mim que há pessoas éticas e outras que não o são dentro do setor! Acho que o que está em pauta é o fato de haver profissionais que encaram a fotografia como arte, pessoas que amam o que fazem e querem dar sempre o melhor (mesmo que isso lhes custe mais horas e mais estudos e dedicação) e outros que fazem isso de forma quase mecânica, tirando toda uma componente humana e emocional.

Hoje entretanto voltei para o Brasil (estou recomeçando) e vivo numa cidade mesmo muito pequena onde o número de fotógrafos se conta nos dedos de uma única mão… Aqui o mercado é pequeno e a população é de baixa renda. e para piorar aqui as impressões só são possíveis indo numa cidade vizinha. aqui mesmo não tem. Ao pesquisar como as coisas funcionam aqui no Brasil (ou melhor dizendo. na minha cidadezinha e nas cidades mais próximas). verifiquei que. em muitos casos. não direi que em todos mas em muitos. a impressão não era apenas uma forma de valorizar a qualidade do próprio trabalho mas uma forma de ganhar mais um dinheiro do cliente. e isso não aprovo (digo isto depois de ter visto books bem caros mas que não tinham uma impressão tão digna do valor que pagaram).

Acabei concluindo que o dvd seria a melhor alternativa. e também a mais justa. Não trabalho ainda com casamentos. mas em todo trabalho dedico todo o meu empenho e carinho. antes. durante e depois. Mas não descarto totalmente a impressão por causa da tal componente humana e emocional que falei. Como a população é de baixa renda a minha solução foi oferecer um pacote que inclui fotos digitais tratadas no dvd (nao todas… uma quantidade específica… escolhidas) e mais um portfólio com as melhores dez fotos impressas. acho que assim consegui um equilíbrio com o mercado com o qual trabalho.

Encaro a impressão das fotos como o prazer de ler um livro de papel… A gente quer pegar. manusear. cheirar. senti-lo próximo. algo que o dvd ainda não traz.

Mas o meu caso é muito específico para o mercado onde atuo. Não quero deixar de fazer um bom trabalho apenas porque não vão poder me pagar o valor que eu mereceria. gosto do que faço e faço com muito amor. tentando dar sempre o meu melhor. Quero que a minha fotografia seja acessível. que ela seja uma porta e não um muro. Eu sei que todo mundo tem que pagar contas. e um dia é claro que trabalharei cobrando valores mais altos. mas quando for atuar em outras cidades. Acho que cobro um valor baixo mas ainda assim sou relativamente cara comparada a alguns profissionais daqui. mas coloco na balança o fato de que também sou eu a produtora. maquiadora. e editora das fotos. Vou com isso tentando ser flexível mas ao mesmo tempo tentando não ferir a qualidade do que pretendo oferecer. E não… nem sempre é fácil este equilíbrio.

Mas acho que vc está completamente certo no que diz respeito aos grandes mercados da fotografia. Quem gosta do que faz sempre se empenhará ao máximo para oferecer o melhor e não algo que hoje em dia qualquer criança de cinco anos faria…

ah… amo seus artigos. Aprendo sempre.

Concordo com o autor. É mesmo o fim da picada, entregar imagens em DVD se livrando da responsabilidade de produzir material impresso com excelência e qualidade. Creio que estes fotógrafos depreciam o valor do trabalho pleno e verdadeiro. Posso estar errado mas, entendo que o trabalho impresso é o que mais se aproxima de tornar as de cada cliente mais verdadeira e duradoura.

Prezado Vinicius, sua reflexão e o texto sugerido são muito interessantes. Me permita discordar levemente sobre uma pequena parte dele. Na minha opinião humilde, não acho que os clientes sejam vítimas, mas sim agentes dessa situação do “fotografar e queimar”. No nosso país chamado Brasil, onde impera a maldita lei da vantagem, o “jeitinho brasileiro”, tudo é desculpa para “se dar bem”. Todo profissional está aberto a negociações, algum possível desconto à vista ou formas de parcelamento. Perfeitamente normal. Mas me deparo muitas vezes com iniciativas do próprio cliente pedindo… “vc não entrega TODAS as fotos gravadas em um CD”? O cliente acha que, com isso, estará levando vantagem, que pagará menos. Ainda há a cultura de que “foto” é o papel, a mídia impressa. Se é arquivo, é mais barato. Então, acredito que a pergunta viciosa seria: o fotógrafo entrega o DVD porque o cliente não quer pagar OU o cliente quer pagar baratinho e por isso existem fotógrafos que entregam TUDO salvo de qualquer maneira, em um DVD? Lembrando que o mercado é livre e cada região tem preços diferentes sendo praticados, para segmentos diferentes, etc. Cada um sabe o quanto vale o seu trabalho mas o que deve ser combatido sempre é o pseudo-profissionalismo e a prostituição nos valores cobrados.
Grande abraço e sucesso!
Mauricio

Também não sou a favor dos queimadores de DVD’s mas as vezes penso que é uma fatia de mercado bem significativa no Brasil, moro perto de um cartório em Sampa e vejo no sábado como tem vários “fotógrafos” na porta do cartório vendendo seu “trabalho” e se gastar um tempo observando vemos que ele fazem muitos casamentos ali, se tem gente que vai e contrata fotógrafo no dia do casamento civel é porque não se preocupa a mínima com isso e aí gera a fatia de mercado para esses tipo de fotógrafo, acredito que a escolha é não fazer perte dessa classe de fotógrafos, mas que é um fatia de mercado e que sempre vão existir isso é fato;
Grande abraço!
Rogerio

Vejo essa questão de uma forma um pouco diferente. Oferecer apenas o DVD é realmente um problema, e ao meu ver demonstra incapacidade sim. Mas existe também o lado oposto da moeda, tem muito fotógrafo cobrando barato nas fotos em si, pra ganhar em cima de impressão, poster, álbum, porta retratos, etc… Picaretagem da mesma forma! Sou novo, nasci e cresci em uma época em que os arquivos digitais importam muito mais que a impressão em si, uma simples cópia, reprodução. Aquela coisa de fotógrafo que não entrega o arquivos em alta em um DVD pra mim simplesmente não existe, não tem mais espaço. Quero postar as fotos no Facebook, mandar pros meus amigos pelo Whatsapp, mostrar pro meu irmão que atualmente mora na Itália.

Um equilíbrio se faz necessário, o “shoot and burn” não pode acontecer. Mas quem sabe talvez um “shoot, organize, edit and burn”? Acredito em entregar o álbum, mas também o DVD com as fotos. Não todas, isso é besteira. Outro dia uma noiva disse que outro fotógrafo entregava mais de 5mil fotos. Faltou vontade pra responder, milhares de fotos ruins em um DVD não valem mais que 100 fotos boas em um álbum.

Quando comecei a ler o artigo achei que se tratava de entregar todas as imagens captadas no casamento em DVD, além do álbum e demais itens contratados. Mas depoi vi que não. Eu não sei se aqui no Brasil é comum esse tipo de ‘fotógrafo’ que simplesmente fotografa e grava em DVD (sem edição, sem um contato mais achegado ao casal).

Uma ‘discussão’ que as vezes vejo é sobre entregar todas as fotos em DVD para o casal (e aqui falo de fotógrafos que fecham álbum, making, ensaio, etc). Vejo que muitos fotógrafos entregam o álbum, mas se o casal quiser as fotos em alta, é cobrado ‘a parte’. Caro que tudo depende DO QUÊ foi negociado, mas eu vejo da seguinte forma: Quando um casal me contrata, ele me contrata (e me paga), para eu estar com eles nesse dia, e fazer quantas imagens forem possíveis (dentro do meu estilo de fotografia), e depois pegar essas imagens, editar, diagramar e entregar um belo álbum, talvez um vídeo com as fotos (slideshow), e claro, também todas as fotos em alta. Eu me vejo na obrigação de entregar TODO o material, afinal, eu fui pago pra fotografar. Não vejo como algo JUSTO querer cobrar pra entregar as fotos. Vejo como se fosse assim: Você vai na concessionária, escolhe um carro belíssimo, paga pelo carro. Mas na hora de pegar o carro o vendedor fala: “Sim, vc comprou o carro, mas a CHAVE do carro custa mais R$ XX”. É injusto, não?

EU trabalho dessa forma. Eu não trabalho somente fotografando e entregando em DVD. TODOS os meus ‘pacotes’ tem um belo e bem acabado álbum, tem também diversos opcionais, mas eu entrego também TODAS as fotos, editadas, para o casal. É direito deles.

Gostaria de saber como outros colegas vêem essa questão.

PS. Ninguém respondeu ou comentou ainda?

Querido, sua opinião é uma, e há quem tenha opinião diferente. Leia e publique a resposta se tiver humildade pra conviver com outras formas de pensar.

1. “Ter o seu casamento fotografado e receber apenas um DVD é o mesmo que receber apenas o tecido do seu vestido de noiva sem que o o mesmo esteja pronto”. – Não concordo. Isso seria se entregasse as fotos em RAW, por exemplo. Comparativo rápido como esse não apresenta nada de novo. Ficou vazio, uma pena.

2. “Os fotógrafos queimadores de DVDs realmente não se preocupam em entregar um produto bem acabado e profissional. Tudo que eles querem é se livrar da responsabilidade de ter que continuar com o trabalho duro que vem logo após a captura das imagens. A estratégia shoot and burn, como é chamada em inglês, não faz com que os noivos economizem dinheiro. Ela só coloca a noiva em um mundo em que ela não conhece nadinha, o mundo da impressão de imagens. Quando então o cliente descobre o trabalho que terá para finalizar o trabalho, o fotógrafo queimador de DVD já se foi e ganhou dinheiro fácil.”
– Pressupostos que agridem e fogem totalmente à discussão. Profissionalismo, produto bem acabado, dinheiro fácil, tudo isso está num campo genérico e soa apenas como ofensa. Não faça isso, não pega nada bem pra você que quer ser bem visto pela comunidade. Fotografar e editar é um trabalho árduo e sério pra muita gente. Se o fotógrafo oferece o DVD e a impressão à parte não quer dizer que ele está fugindo à responsabilidades ou deixando alguém na mão. É o cliente que passa a ter liberdade de escolha de: (1) gastar dinheiro com impressões depois e isso pra muitas pessoas é interessante; e (2) solicitar serviços de diagramação, finalização, impressão e encadernação com quem bem quiser, com o próprio fotógrafo já conhecido, ou com qualquer outro prestador de serviço, fotógrafo ou não.

Agora veja o outro ponto de vista. Porque os fotógrafos que também são queimadores de DVDs mas que não gostam da idéia de entregar fotos sem alguma impressão se incomodam tanto? Há tanto problema assim em ter outros profissionais que trabalham de forma diferente? Precisa agredir? Só porque estão perdendo clientes e portanto perdendo dinheiro? Pela ótica de muitos clientes o que alguns fotógrafos fazem chama-se venda-casada, obrigam o cliente a comprar determinado suporte impresso.

E, pra finalizar, não adianta falar genericamente em estratégias certas ou erradas, boas ou ruins. Não existe fórmula única ou fórmula mágica.

Vale lembrar que alguns fotógrafos fazem um meio-termo. Oferecem serviços impressos à parte com dois valores, um muito mais alto, que o cliente pode encomendar depois, e outro muito mais baixo, que é o que força a venda casada. Assim ao menos o cliente passa a ter direito de escolha para encomendar impressos. Só que fazer política de preços assim acintosamente não soa bem. Seus clientes provavelmente não são bobos ou idiotas, e provavelmente não devem gostar da idéia de serem tratados como se assim fossem.

Um beijo pra você.

Bem, já li este artigo há algum tempo em um livro de um fotógrafo americano, o qual não me recordo o nome.

Em parte concordo, mas duas coisas têm que ser levadas em consideração. A primeira é o mercado. Na minha humilde opinião não podemos simplesmente comparar o mercado norte-americano ao brasileiro sem fazer adaptações. Algumas pessoas sim, preferem as fotos em formato digital e optam por somente obtê-las em DVD para compartilharem em redes sociais, ou somente por uma questão de preferência pessoal: o álbum não desperta interesse.

Uma outra coisa é a generalização. Não é porquê o cliente quer as fotos em formato digital que não se pode entregá-lo de forma elaborada. Pelo contrário: numa revista inglesa chamada Turning Pro UK, revista filha da famosa UK Photographer, uma dica que é dada aos novos profissionais de fotografia, aliás, uma opinião contrária a de muitos fotógrafos, é a de que deve se dar o valor primordial á fotografia em si. Albums e “prints” devem ser tratados como extras, auxiliares à arte do profissional. De qualquer forma, o DVD pode sim, ser elaborado e entregue em uma embalagem sofisticada – mesmo sendo um “mero” DVD -. É aí que diferenciaremos o “queimador de DVD” do profissional real.

Devemos dar valor à pintura primeiramente, a moldura é somente um acessório.

Espero não estar falando besteira.

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