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Quero contar aqui a história do fotógrafo que estava na zona de conforto, no caso, EU.  Para isso falarei sobre o meu dia de ontem. As 11 da manhã assisti ao jogo Brasil x México pela Copa do Mundo junto com a minha equipe na Escola de Imagem. Vitória do Brasil. Vamos para a próxima fase. Que venha a Bélgica!  A tarde, fui a uma rádio local, Rádio América,  convidado para falar, ao vivo, sobre a importância das memórias fotográficas para as famílias. Fiquei muito contente por, pela primeira vez, falar sobre o assunto FOTOGRAFIA de FAMÍLIA em uma mídia de massa. Todas as outras oportunidades eu havia falado sobre fotografia de casamento mas nunca de família.

Para aumentar o meu espanto, já na cama, antes de dormir, recebi um email com a notícia de que tive 16 fotos premiadas, DE UMA SÓ VEZ, em uma importante associação internacional, a LIFESTYLE PHOTOGRAPHERS. Tenho aproximadamente 300 imagens premiadas, durante esses 13 anos de fotografia profissional, mas essas últimas tiveram um gostinho pra lá de especial. Nunca tive tanto reconhecimento de uma só vez, e não imaginaria que tudo isso aconteceria na minha nova fase como fotógrafo de família.  Fiquei paralisado. Uma mistura de alegria e susto! Não sei bem explicar esse sentimento. Apenas tive certeza que algo novo pairava no ar. Chegou o início da colheita.

Tem sido muito desafiador para mim todo esse processo de REINVENÇÃO. Me aposentei como fotógrafo de casamento, para me dedicar com toda força a dois projetos de vida:

  1. Formação de fotógrafos de alto desempenho através do COACHING para FOTÓGRAFOS e dos meus WORKSHOPS.
  2. Ser fotógrafo de família 100% do meu tempo.

Uma tarefa que tem me exigido culhões ou “huevos” em espanhol, aproveitando esse momento de confraternização entre culturas proporcionado pela Copa do Mundo.

Ainda sobre o dia de ontem, minutos antes de sucumbir ao sono, bati um papo via whatsapp com um amigo fotógrafo de casamento, super reconhecido, que atua no sul do país. Ele estava muito amargurado, triste e preocupado com a crise que passamos, com o fato de não conseguir fechar tantos trabalhos, de ter que cobrar menos e de ter que fotografar outras coisas além do casamento que é o que ele sempre fez.

Consigo facilmente entender a sua dor por que eu, de certa forma, a senti na pele também. Sei que ele se dedicou muito para ser um fotógrafo de casamento TOP e também consigo entender como é difícil para um você fotógrafo aceitar que é hora de caminhar, que aquilo que faz  já não é suficiente. Muitas vezes o universo sinaliza, de forma brusca, que falta ar e que já não há mais espaço na nossa ZONA DE CONFORTO. Chegou a hora de buscar sua nova carapaça. É por isso que transcrevi abaixo um texto sensacional de autoria de Luiz Pellegrini que descreve exatamente esse doloroso processo que eu passei, pela segunda vez, em minha trajetória na fotografia.

A Carapaça da Lagosta

“A lagosta vive tranquilamente no fundo do mar, protegida pela sua carapaça dura e resistente. Mas, dentro da carapaça, a lagosta continua a crescer. Ao final de um ano, sua casa fica pequena e ela tem de enfrentar um grande dilema: ou permanece dentro da carapaça e morre sufocada ou arrisca sair de lá, abandonando-a, até que seu organismo crie uma nova carapaça de proteção, de tamanho maior, que lhe servirá de couraça por mais um ano.

Vagando no mar, sem a carapaça, a lagosta fica vulnerável aos muitos predadores que se alimentam dela. Mesmo assim, ela sempre prefere sair. Dentro da carapaça, que se transformou em prisão, ela não tem nenhuma chance. Fora, sim. Também nós, muitas vezes, ao longo da vida, ficamos prisioneiros de várias carapaças: os hábitos repetitivos, os condicionamentos alienantes, as situações às quais nos acomodamos mas que, exauridas e desgastadas, nada mais têm para nos oferecer. E acabamos, por falta de coragem de mudar, nos acostumando ao tédio de uma vida monótona que, fatalmente, como a velha carapaça da lagosta, acabará por nos sufocar.

Façamos como a lagosta: troquemos a velha e apertada carapaça por uma nova. Mesmo sabendo que, por algum tempo, estaremos desprotegidos ao enfrentar uma nova situação. Largar o velho e abraçar o novo é, muitas vezes, a única possibilidade de sobreviver por mais um ano. Até que cresçamos ainda mais e, novamente, tenhamos de mudar de carapaça.”

A tal da Zona de Conforto, que todos nós já estamos cansados de ouvir é algo muito poderoso. Podemos compará-la a carapaça da Lagosta. Todos nós buscamos estabilidade, conforto e proteção.  É para isso que serve a nossa confortável carapaça. No entanto, para que possamos expandir nossas  vida, nossas conquistas e conhecimentos é fundamental que deixemos a carapaça pequena que nos limita. É fundamental também  assumirmos uma nova postura em que  nos tornaremos vulneráveis enquanto saímos em busca de uma nova carapaça.

Por que é tão difícil sair da Zona de Conforto?

Trocar de carapaça é difícil simplesmente pelo fato de que nós tememos o desconhecido. Para que sair daqui se não sabemos o que nos espera? Sofremos muitas vezes até a exaustão com a carapaça apertada.  O medo muitas vezes molda nosso comportamento e nos impede de traçarmos um novo caminho grandioso, dentro da fotografia em busca da nossa nova carapaça.

Me chamaram de louco várias vezes. Fotógrafos amigos e pessoas próximas, que acompanharam minha vitoriosa trajetória na fotografia de casamento, não entenderam o porquê de parar de fotografar casamentos. A resposta é simples, eu já não conseguia me mover dentro da carapaça. Lutei, relutei mas acabei saindo e ontem, despois de tudo que aconteceu, sinto que encontrei a minha nova carapaça.

Em nenhum momento quero que você fotografe família, largue a fotografia de casamento ou faça isso ou aquilo só por que eu fiz. O meu intuito, com esse artigo é apenas compartilhar e talvez inspirá-lo com essa nova etapa que tenho vivido, repleta de medos, incertezas mas com cheirinho de vitória. Estou certo de que muita coisa boa vem por aí pois segui a minha intuição e venci os meus medos! Os resultados começam a chegar e esses por sua vez dependem apenas da  sua capacidade de tomar decisões e agir.

E eu finalizo aqui essa história com a pergunta: O que você está esperando para trocar de carapaça?

Comentários

Sua energia com sua nova etapa está impregnando tudo que faz. Isso desperta em nós a esperança que afasta todo medo e comodismo. Obrigada!

Obrigado Lilian. Que o medo e o comodismo possam dar lugar ao trabalho duro e a consciência tranquila de que estamos trabalhando ao amor. Nenhuma crise resiste ao trabalho duro, não é verdade? Um abraço e volte sempre.

ClélioJosé de Medeiros

Parabéns, Vinicius! Bela narrativa para todos fotógrafos.

Obrigado e volte sempre Clélio!

Amei o texto e as fotos. Parabéns!!
Muito difícil sair da zona de conforto.

Sim, a zona de conforto, como o prório nome diz, é super confortável!

Querido Vinícius!!
Quanta energia em suas palavras!
Quanta lucidez…
Gratidão por partilhar da sua experiência e consciência de constante evolução pessoal e profissional!!
Abraço carinhoso!

Parabéns Vinícius!!! Adorei ler tudo isso. E parabéns pelas fotos lindas! Arrasou!

Obrigado Manu. Volte sempre!

Que coisa mais linda Vinícius!
Parabéns meu amigo pelo o post lindo, cheio de inspiração, com fotos incríveis…
Um forte abraço

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