Quando comecei a fotografar casamentos, na década passada, muita coisa já era diferente do que é feito hoje. Cada ano que se passa, novos equipamentos são lançados, novas técnicas são criadas e novas modas entram em “alta”. Você já parou pra pensar em como a fotografia de casamento mudou nos últimos cinquenta anos?

A evolução dos casamentos

Para analisar a evolução da fotografia de casamentos, preciso primeiro falar em como os próprios eventos mudaram. Se compararmos duas gerações diferentes como a Baby Boomer (pessoas que nasceram mais ou menos na década de 1950) e a Y (nascidos entre 1970 e 2000), dá pra perceber uma grande diferença de comportamento.

Enquanto antigamente o casamento era quase uma obrigação, hoje em dia é comum até mesmo casais viverem juntos sem a necessidade de formalizar a união. E quando ocorrem cerimônias, não necessariamente são religiosas e em igrejas, como era comum há algumas décadas.

Mas o que mais mudou nos últimos tempos foi a criação de um “mercado” de casamentos. Antigamente, esses eventos aconteciam em igrejas e pequenas festas na casa da família, apenas para convidados íntimos. Hoje em dia os casamentos são verdadeiras produções, com muita música, muita bebida, decorações elaboradas e buffet’s caros. Além, é claro, do tamanho das festas, que passam das centenas de convidados.

Essas mudanças influenciam diretamente a maneira como a fotografia de casamento evoluiu nas últimas décadas. Não só pelo assunto a ser fotografado mas, também, pelos equipamentos disponíveis. E alguns pontos merecem ser destacados aqui no texto.

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Foto: Vinícius Matos

Do analógico para o digital

Sem dúvida, o surgimento da fotografia digital é uma verdadeira revolução para todos os tipos de fotógrafos. Apesar de ainda ser recente, se compararmos com a existência da fotografia analógica, a era digital mudou como produzimos e consumimos imagens.

E para a fotografia de casamento a possibilidade de não depender da quantidade de rolos de filme mudou o registro desses eventos. Para nós fotógrafos, poder clicar muito mais e, principalmente, conferir o resultado na hora trouxe uma grande facilidade na cobertura de um casamento.

Muitas vezes, os fotógrafos precisavam “segurar o dedo” para não clicar demais em um casamento e se ater apenas aos momentos tradicionais. E isso se traduzia na hora dos noivos escolherem as fotos para o álbum. Afinal de contas, a limitação do número de “poses” se refletia também no resultado final. E como o custo por clique era maior na época analógica, a prática da cobrança pelo número de fotos era bastante comum.

Hoje, os noivos podem ter o registro completo do seu casamento em mais de mil imagens sem a preocupação de como elas serão entregues ou guardadas. Além, é claro, da possibilidade de ter acesso às fotos até mesmo pelo celular.

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Foto: Vinícius Matos

O tamanho das câmeras

O tipo de registro feito antigamente tinha como grande influência o tamanho das câmeras. Elas costumavam ser pesadas e desajeitadas, o que obrigava o fotógrafo a se concentrar nos retratos posados dos noivos e convidados. Com isso, não existia muita margem para o exercício da criatividade por parte do profissional.

Já nos dias de hoje, os equipamentos tendem a ser cada vez menores e mais leves. Isso faz com que seja possível se preocupar mais com a parte criativa da fotografia e menos com o peso de uma câmera que irá ficar mais de 10 horas seguidas no seu pescoço.

Particularmente, eu fotografo com duas câmeras mais leves e lentes mais leves ainda. Isso me permite uma mobilidade e agilidade muito maiores do que se escolhesse equipamentos pesados. Com isso, posso me mover sem chamar muita atenção, me agachar e levantar com facilidade e, também, não ter minha saúde prejudicada pelo excesso de peso.

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Foto: Vinícius Matos

O registro

Como falei no item anterior, o tamanho e peso das câmeras eram fatores que influenciavam diretamente no tipo de registro que o fotógrafo fazia de um casamento.

Retratos com a família, padrinhos e amigos nunca deixaram de ser importantes. E é necessário se atentar ao fato de que esses registros considerados mais tradicionais são essenciais para a construção da memória da família.

Mas a evolução da fotografia fez com que nós fotógrafos pudéssemos nos concentrar em registrar tudo aquilo que de fato acontece em um casamento. Com câmeras mais portáteis, posso me aproximar dos convidados sem muito incômodo para mim ou para eles. E é nessa aproximação que consigo registrar momentos verdadeiramente genuínos.

Contar a história de um casamento requer atenção aos detalhes, mas também no contexto geral do evento. É preciso registrar aquilo que de fato acontece, pois por essas imagens os noivos irão relembrar o que aconteceu em seu casamento. E quanto mais a tecnologia favorecer a aproximação do fotógrafo, melhor.

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Foto: Vinícius Matos

Álbuns

Um outro item que evoluiu bastante nos últimos anos foi o álbum de casamento. E esse é um item que considero primordial para os meus clientes, tanto que não ofereço serviços sem ele. No álbum, a história será contada em uma sequência de imagens escolhidas a dedo. E quando o casal fica apenas com os arquivos digitais, a compilação dessa história perde muito poder.

Nas últimas décadas, muitos modismos rechearam os álbuns de casamento. Mas é meu papel, enquanto fotógrafo, de conscientizar meus clientes da importância de se manter um álbum limpo e atemporal.

O álbum de casamento é, afinal, um documento histórico da família e deve ser tratado de maneira que, daqui 50 anos, permaneça atual. Em meus álbuns, busco sempre valorizar a história contada pelas imagens, sem prestar atenção naquilo que está na moda no momento.

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