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Em primeiro lugar gostaria de dizer a você leitor que o que mais gosto no meu BLOG é o fato de poder compartilhar as minhas angústias e o que me motiva no meu dia a dia, como pessoa e também como fotógrafo. Van Gogh raramente utilizava mais de 6 tipos de tintas nas suas obras.

Ultimamente me sinto angustiado com a dependência que nós fotógrafos desenvolvemos em relação aos nossos equipamentos. Como ministro workshops tenho contato com inúmeros alunos e uma das preocupações maiores é o tal UPGRADE e a compra de mais equipamentos. Há últimos lançamentos todos os dias no site. Eu já fiz um post sobre a danada da EQUIPAMENTITE AGUDA que por sinal foi bem polêmico. Para quem quiser conhecer melhor esta doença basta clicar AQUI.

A minha opinião sobre o assunto na verdade foi roubada dos grandes mestres. Quem sou eu para discutir com Cartier Bresson que utilizava uma camera e uma objetiva 50 mm para fazer tudo aquilo que a maioria de nós já vimos. Já Leonardo Da Vinci disse o a Simplicidade é o maior grau de sofisticação. Tenho lido bastante e a minha conclusão é que equipamentos caros e sofisticados podem se tornar uma armadilha já que formam um pilar vultuoso para que nós fotógrafos possamos nos esconder.

É mais fácil comprar equipamento que desenvoler a capacidade de observar. Quanto mais eu evoluo como fotógrafo, menor a quantidade de equipamentos eu preciso. Espero continuar assim por um bom tempo. É um processo doloroso que exige esforço e mudanças internas. Para diminuir o tamanho e peso da minha mochila preciso tirar o peso de mim mesmo e simplificar o meu modo de viver.

Pode ser que a equipamentite seja inerente ao processo de aprendizado fotográfico. Sem equipamentos não fazemos nada. Eles são nossas ferramentas de trabalho e precisamos de ferramentas boas parafacilitar o nosso trabalho não é verdade? Adoro uma objetiva nítida, uma câmera rápida e um sensor que me permita fotografar com ISOS altos em condições de baixa luz. Bobo não sou…..agora….será que um carpinteiro precisa de 8 tipos diferentes de martelos? Será que preciso de uma câmera com grip, flash protetor, mini tripé, monopé, disparador, Gary Fong, Fong Dong, tele, meia tele, super tele, grande angular, olho de peixe, normal, macro, super macro e tudo mais? Me pergunto hoje, por que eu comprei tantas lentes no passado? Devo ter um carro zero em casa parado de coisas que não utilizo mais então me sinto mais que no direito de falar de uma doença que me contagiou. Será que precisava perder tanto dinheiro assim? Quantos de nós fotógrafos tem seus lucros reduzidos por investirem em equipamentos desnecessários?

Em breve farei um bazar com alguns equipamentos que já não utilizo mais. Aguarde. Há 1 ano venho simplificando minha forma de fotografar. Neste interim ganhei mais segurança, aprendi a dominar melhor a luz e o mais importante, enxergo mais que antes. Esses fatores juntos me ajudam a me desvencilhar desta doença grave.

Enxergar além do óbvio nos exige esforço, trabalho e comprometimento. A compra de equipamentos nos exige dinheiro, e ponto.

Desta vez eu fotografei pra valer um casamento com o equipamento reduzido. Uma câmera semi-profissional Micro 4/3 Panasonic LUMIX GF2 e uma Canon Mark II com uma lente 50mm. Sem flash e nada mais. Em algumas fotos da cerimônia e recepção contei com 1 LED  nas mãos de um assistente mas em 80% do tempo eu estava sozinho. Em alguns momentos sentia a necessidade de uma bolsa com mais objetivas e outras coisitas mas….resquícios da doença que ainda não está totalmente curada. Quando ela mostrava sinal de resistência eu me perguntava será que preciso mesmo disso? Eu mesmo me respondia… você tem tudo que necessita hoje. Atenção e concentração no evento que vai dar tudo certo.

Eu gostei do resultado e espero que o querido casal Cássia e Dave também gostem. Uma energia contagiante, amor genuíno, cumplicidade, gente animada, convidados de vários continentes, uma cerimônia budista linda, luz do dia…luz natural. Cada vez mais me considero uma pessoa sortuda por enxergar cada dia mais e por atrair cada vez mais pessoas simpáticas e casamentos de verdade.

“Não há nenhuma relação entre criatividade e possuir equipamento” Hugh MacLeod

 

 


 


Comments

Concordo plenamente. Sou fotógrafo em um jornal diário e resolvo todos meus problemas com uma 17-40 e uma 24-105mm.

Puxa vida, to quetinho aqui lendo tudo e aprendento mto. Estou pensando 2 vezes agora em comprar uma 70-200 1.8, heheheh! Forte abraço amigo, já fiz curso lá na sua escola e preciso voltar para mais uns. Super abraço!

Oi Vínicius num precisa nem flar né nossa ficou show o casamento!!!!!! mas me fala como consigo fazer um casamento sem lentes a gente num fica muito entrões tipo assim tem padre q num pode nem subir no altar o q fazemos nessa situação, como vc conseguiu pegar aquela gota pingando cara foi d mais mas foi com a cinquentinha msmo?????
bjos
VC é sempre o CARA !!!!!

Sempre achei a limitação algo positivo. O fato de se ter apenas uma lente nos faz sair da zona de conforto e nos motiva a driblar as limitações, seja ela da quantidade de equipamento, técnica ou mesmo dificuldade por conta de situações que fogem do nosso controle durante um trabalho. E nos surpreendemos com isso.
Em outubro completo um ano fotografando casamentos inteiros com apenas duas lentes fixas, do making of à recepção. Hoje olho pra trás e vejo a quantidade de equipamentos exagerados que eu comprava, muitas vezes quase nunca usados. Vendi muita coisa nova. Um desperdício! Mas a gente vai aprendendo.
Menos é sempre mais.
O melhor de todos os equipamentos foi Deus quem criou. Cabe a nós treiná-lo.
Grande abraço Vini!

É isso ai Vinicius!
Lembrei-me do velho ditado, ” menos é mais”. Pra que complicar?
Eu, por exemplo, utilizo em meus casamento duas objetiva, são elas 35mm 2.0 e 85mm 1.8.
Tenho que me “concentrar no momento” e não em questões técnicas que pura perda de tempo.
Equipamentos demais realmente complicam…
É realmente um grande post, merece toda a nossa atenção e reflexão e com certeza você esta certo.
Ah! Belas fotos…
Abraço

É isso aí Ricardo. Seja sempre bem vindo!

Um link realmente inspirador quanto ao tema discutido…

http://obviousmag.org/archives/2008/05/miroslav_tichy.html

Vale também uma frase de outro dos grandes mestres da fotografia Ansel Adams:

“Não fazemos uma foto apenas com uma câmera;
ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos,
os filmes que vimos, a música que ouvimos,
as pessoas que amamos.”

Pode parecer uma loucura o que vou dizer, mas um investimento que acho muito valido é adquirir um equipamento analógico além do digital.
Passamos a nos guiar desde a escolha do filme (os tons que proporciona, tipo de luz que serão feitas as fotos, se PB, Cor, negativo, cromo…) ou seja, passamos a entender determinados detalhes da base da fotografia, que normalmente se faz sem pensar “testando e olhando no visor se está bom, sem mtas vezes nem saber o pq de nada”, é câmera no automático+ flashzão no TTL e “é nóis” como diz aqui em SP, além disso, a “limitação” pela quantidade de frames que possuimos na bobina normalmente 36 poses, chegou nisso, tem que parar, abrir, trocar o filme, enfim… pensamos 10 vezes antes de apertar o botão… a ausência do visor que é de extrema importância para desenvolver precisão, a ansiedade do revelar, ampliar as provas, enfim… é um exercicio extremamente válido, claro que não acredito e principalmente nesse país dos megaimpostos, seja viável para um trabalho de casamento, pelo custo que é praticidade incomparável ao Digital… mas sim para a produção de um material “pessoal”, autoral… o reflexo da constante experiência com o analógico, nos faz clicar menos quando estamos em um trabalho, a pensarmos mais, nos concentrarmos mais… Se torna mais viceral…

O mais importante é o que está do lado de trás da câmera, mergulhado no visor… este sim merece TODO O INVESTIMENTO DO MUNDO!!! A partir do momento em que criamos uma linguagem, resumimos a qtidade de equipamentos, o suficiente para resolver qquer situação.
Bjo Tio!

Concordo com você Vinicius… Você me conheceu muito bem e sabia como eu era doente por equipamentos também 🙂

Se quiser vender sua 85 1.2 😉 brincadeirinha hehehe

Não sei se já viu, mas esta tira de quadrinho ilustra bem a parte de perguntar que equipamento foi usado… 😀

http://www.whattheduck.net/strip/95

Abraços!

Assim como a Débora ai em cima, tudo muda depois que vc pega uma 50mm, outro dia fiz um casamento, pequeno, só pra família, foram cerca de 700 fotos, acho que fiz 550 só com a 50mm, foi lindo, adorei ter que andar pra fazer a composição que eu queria, ter que estar no lugar certo pra fazer a foto que eu queria, ter que pensar e agir com rapidez pq vc não pode simplesmente clicar e achar que tudo vai ser cropado depois, o legal é ver o resultado saindo ali do jeito que vc quer com as dificuldades que o momento proporciona, pq é batida a frase mas é a mais pura verdade, toda dificuldade vem acompanhada de satisfação após a realização…eu tenho pego costume principalmente na recepção dos casamento grudar a 50mm na camera e fazer de tudo para ir com ela até o final da festa…parabéns Vinicius mais um belo post sobre um assunto que muita gente ainda quebra a cabeça, hoje tenho 4 lentes, e não quero comprar mais, somar, quero trocar algumas que são escuras por lentes mais claras, só continuar com 4 lentes, ou quem sabe até mesmo diminuir esse numero para 3, ou quem sabe 2 aheahehaheah ou quem sabe 1 50mm satisfaça.
abraço.

Seu texto me faz lembrar o qto minha vida e meu olhar mudaram com a cinquentinha… você é fera! Amei o texto, do começo ao fim. Parabéns!

Olá Vinicius!
Suas fotos são espetaculares.Só uma perguntinha,você fotografou sozinho ou teve ajuda de algum fotógrafo?
Com urgência tenho que fazer um curso de direção de noivos contigo.Abraço!

Como sempre vc foi e é impressionantemente incrivel!!!!! Parabens por mais um belissimo trabalho!!! Ahhh e o comentario super valioso!!!

Vinicius adorei o seu post e quando vi o link no meu Facebook vim logo ler porque o tema de menos é mais me instiga. O meu Boss quase teve esta doença e por muito tempo resistiu em comprar uma máquina nova e quando ele mostrava as fotos que tirava dos casamentos ninguém acreditava que ele usava uma máquina “tão velha”. No meu tempo uma máquina para ser “velha” tinha que ter 15 anos. Hoje bastam 15 minutos. Acabou comprando uma nova porque a coitadinha foi muito bem usada. Gastou.

Adorei a charge porque foi quase aquela resposta que o meu Boss, Lauro Maeda, me deu após ver uma foto de celular tuitada por ele. Você só precisa de olho para tirar uma boa foto disse ele. E que verdade. Adoro ver as suas fotos como gosto de ver as dele. Tem o mais importante pra mim: a emoção.

Continue sendo a pessoa maravilhosa e o artista fenomenal que você é.

O seu boss, Lauro Maeda, é um grande ser humano e um fotógrafo fantástico. Sou fã dele! Volte sempre Michelle.

Não sei o que é mais motivador, o texto ou as imagens.

Bom grande Mestre… Nada mais que perfeito o trabalho… “pra continuar” rs
Abraços

Assim como comentei no twitter, cara, PARABÉNS! Seu texto está magnifico, retrata perfeitamente a realidade de hoje.

Sou um fotógrafo iniciante, lancei minha marca apenas este ano, a tendência seria eu ser um destes fotógrafos que pensam apenas em comprar a lente top, todos os tipos possíveis, e me alienar a idéia que, acredite, ouço muito por aqui: “Não existe fotógrafo bom, existe equipamentos bom.”
Algo totalmente ABSURDO! De que adianta ter a melhor câmera, as melhores lentes, e não ter noção nenhuma de técnica, composição? Eu gosto sempre de utilizar mais de uma lente, mas não vejo aquela necessidade de comprar toda lente que aparece.

O problema é a nossa sociedade, não tem como negar. Não é o fotógrafo que quer os melhores equipamentos, é todo mundo que quer TUDO. Nossa sociedade vive pelo materialismo, vive pelo melhor celular, pelo melhor carro, e o mesmo acaba se refletindo na grande maioria dos fotógrafos.

Feliz dos que tem a mente mais “no lugar”, que conseguem ver que tanto na vida como na sua profissão, nesse caso na fotografia, não é necessário ter todas as lentes top, ter a melhor câmera, ter isso, ter aquilo. Facilita? Sem dúvidas, mas é necessário saber medir as coisas, e não se tornar dependente de tal.

Pra mim, um lucro que sempre vai valer a pena são LIVROS. A técnica não é como uma lente, que após 1 mês já tem uma mais atual, a técnica vai estar sempre presente, mesmo agora na éra digital nos ainda utilizamos técnicas do analógico. Esse sim é um investimento que sempre vale a pena, e se querem se tornar obsessivos por comprar tudo o que aparece de novo na fotografia, que sejam livros, que esteja ligado a técnica, e não a cada novo equipamento que surgir.

Parabéns pelo excelente post, parabéns pelas excelentes fotos, parabéns por repassar a todos nós tudo o que você se tornou! Abração!
Marcos Silveira

Opa! Disse “menos equipamentos vão ficando na bolsa”. Na verdade são mais equipamentos. Desculpe.

Menos mesmo Marcelo. O que não uso fica em casa ou vendo para alguém que precise.

Muito bonitas as fotos, Vinicius!
Inspiradoras!

Gosto muito da parte que você fala sobre a evolução. Quanto mais se aprende, menos equipamentos vão ficando mais tempo na bolsa, sem uso. Tenho sentido o mesmo. E quando um cara de destaque e reconhecido como você diz isso, eu acredito que estou no caminho certo.

Abração e parabéns por esse casamento! Está especialmente bonito.

Marcelo Andrade,
Porto Alegre.

Pra “variar” um otimo post com belissimas fotos!!!

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