Por Livia Capeli (Texto) e Vinícius Matos (Consultoria e Fotos) – Foto do álbum: Henrique Ribas

Vinícius Matos fala dos erros mais comuns na criação de álbuns em estilo de livros e dá dicas para quem deseja se sair bem no assunto.

Os fotolivros viraram febre no mercado fotográfico. São um suporte impresso usado para valorizar e apresentar fotografias de maneira personalizada, a preços razoáveis e com acesso fácil. O cliente seleciona as fotos que farão parte do álbum, o fotógrafo as diagrama no micro, envia a prévia ao cliente para aprovação e o livro então é entregue. Algumas vezes, a aparência do produto acaba chamando mais a atenção do que as próprias imagens contidas nele. Nem sempre a diagramação é realizada de uma forma consciente, por falta de conhecimento ou de experiência de quem monta o fotolivro.

O expert em fotografia social Vinícius Matos lembra que um álbum de fotografia tem um importante valor como documento familiar e, por conta disso, precisa ser resistente o bastante para suportar a força do tempo e ter um desenho atemporal e minimalista para não sair de moda facilmente. Uma das indicações é se perguntar: “No futuro, daqui a 20 anos, o meu álbum será considerado cafona?”. Há muitos erros comuns ao criar fotolivros. Vinícius separou uma série deles e dá dicas para que fotógrafos não errem mais na diagramação do álbum.

1) Falta de coerência nas lâminas do álbum

A lâmina de um álbum é composta por duas páginas abertas, que formam um conjunto e devem estar em harmonia. Não misture fotos P&B com imagens coloridas nas mesmas lâminas.

2) Excesso de imagens por lâminas

Alguns fotógrafos, seja por inexperiência ou por economia de espaço, permitem que os clientes encham as páginas do álbum com muitas fotos. Isso acaba gerando um efeito, chamado por Vinícius de “história em quadrinhos”. Ou seja, aquele monte de imagens, uma ao lado da outra, que só poluem a leitura e não geram atrativo visual.

3) Usar a ferramenta de diagramação inadequada

Atualmente o software mais indicado para diagramar álbuns é o Adobe Indesign, por ser mais prático e automatizado. O Photoshop já foi o mais usado, entretanto, Vinícius afirma que com o Indesign ele passou a produzir o dobro de álbuns. “Utilizar o Photoshop para diagramar álbuns é bater prego com alicate. Pode até dar certo, porém, o trabalho é árduo e demora mais”, afirma.

4) Fotos sobrepostas ou tortas

Uma foto em cima da outra ou torta não é sinônimo de charme ou modernidade. “Vulgariza e empobrece o trabalho. Museus e galerias não expõem quadros um sobre o outro nem os deixam tortos nas paredes. Trate seu trabalho com o mesmo valor de uma obra de arte”, sugere Vinícius Matos.

5) Textos com fontes de difícil leitura

Fontes rebuscadas, cheias de rococós, podem ser atraentes à primeira vista. Entretanto, são uma cilada, pois tornam-se cansativas e ultrapassadas. Opte por fontes limpas, clássicas e atemporais.

6) Posicionar o rosto dos fotografados na dobra

Sempre que optar por “estourar” uma imagem em páginas duplas, preste atenção para não deixar alguma parte importante da foto no meio da dobra. Em se tratando de fotos de pessoas, um braço ou uma mão no meio do vinco pode até ser permitido, mas fazer o mesmo com o rosto é proibido.

7) Excesso de imagens semelhantes

É o tipo de problema que acontece principalmente quando o cliente escolhe muitas fotos. Peça permissão a ele para retirar as imagens parecidas. Explique que a prioridade é fazer um álbum bonito e não um repleto de fotos com cenas repetitivas.

Dicas para um álbum de sucesso!

1 – Evite diferenças no alinhamento das margens superiores e laterais na mesma página
2 – Evite dispor próximas entre si fotos coloridas que tenham balanço de branco, contraste e saturação diferentes
3 – Cuidado com imagens em P&B. Diferenças de contraste e saturação podem aparecer quando se usa mais de um preset de tonalidade

8) Usar fotos com menor opacidade como fundo

Para Vinícius, fotografia em menor opacidade não é fundo. Imagem usada como fundo da página tira força das fotos em primeiro plano. É uma competição desnecessária.

9) Usar fundos muito coloridos

Fundos muito coloridos cansam a visão e competem em atenção com as fotos. Opte pelo branco e os tons neutros. Eles são mais clássicos, mais nobres e mais atemporais. Priorize sempre os lisos, sem texturas ou efeitos.

Duas dicas essenciais na hora de diagramar um fotolivro: atemporalidade e minimalismo

10) Ampliar fotos que não merecem destaque

Cuidado para não ampliar imagens de pouca importância e diminuir o tamanho de fotos muito interessantes. Vale pensar bem naquilo que merece ter destaque nas páginas.

11) Enviar PDF do álbum para alteração

Quando você envia um arquivo em PDF do álbum para alteração, o cliente subentende que deve alterá-lo. Então, trate-o, a partir de agora, como “PDF de aprovação”. Isso fará bastante diferença na sua rotina.

12) Não impor limite ao número de alterações

Estipule em contrato um número máximo de alterações para o cliente. Se você instituir uma taxa de cobrança para alterações que extrapolarem o limite, os álbuns passam a ser aprovados mais rapidamente.

13) Iniciar ou finalizar o álbum com imagens medianas ou ruins

O álbum fotográfico é como um livro: precisa sempre ter uma capa (ou primeira página) com uma imagem de impacto. Ele também deve terminar causando uma boa impressão.

14) Usar bordas nas fotos

Bordas envolvendo as imagens logo saem de moda e podem dar um aspecto pesado ao layout do álbum.

15) Uso de texturas no fundo das páginas

É como usar as cores: as texturas sempre acabam “brigando” com as fotos e podem chamar mais a atenção do que a imagem principal.

16) Dar ao cliente muita liberdade de alteração do layout

Quem é expert em fotografia e design são os profissionais destas áreas. Procure um equilíbrio entre seu estilo e as alterações que os clientes possivelmente queiram fazer.
Uma dose de flexibilidade e bom senso não faz mal a ninguém, mas seja firme para não ter o seu estilo (ou álbum) desfigurado.

17) Usar legenda nas imagens

Incluir textos explicando imagens ou dar títulos como “Making of”, “Cerimônia” e “Recepção” é desnecessário. Boas fotos não precisam de legenda.

18) Colocar sombra nas fotos

Assim como as molduras, os sombreados são modismos, que tiram a força das imagens.

19) Fazer fusão de imagens

Mesclar imagens tende a deixar o projeto com aspecto artificial.

20) Não oferecer páginas extras ao cliente

Quando o cliente escolhe mais páginas além daquelas previstas em contrato, você não precisa limitá-lo dizendo que só é possível fazer aquela quantidade exata. Aproveite a oportunidade para vender lâminas extras. É bom para o bolso e também uma oportunidade de contar uma história mais detalhada do evento.

Evite o efeito “história em quadrinhos

Use poucas imagens por lâmina. Quanto maior a foto, maior será o impacto. Estipule no seu contrato com o cliente um limite de imagens por lâmina (até seis fotos é um bom número). Dessa maneira, você vai diminuir a poluição visual nos seus álbuns e vai perceber com o tempo que novos clientes vão surgir atraídos pela forma como você diagrama seus álbuns.

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