Cortesia gera cortesia

71 comentários | Artigos publicados

Há muito tempo não escrevia aqui algo polêmico pelo fato de dar muito trabalho. Posts assim me exigem uma cautelosa resposta aos leitores e isso me toma tempo. Polêmica é polêmica não é verdade? Vou mais uma vez com cuidado para que não pareça que estou fazendo acusações levianas e infundadas ou que estou aqui para aparecer. Não mesmo!

Este fim de semana fotografei pela segunda vez um casamento em Juiz de Fora, uma cidade pela qual tenho muito carinho. Gosto muito do clima, das pessoas bacanas que nela vivem. Fotografei no último sábado uma cerimônia na Igreja da Glória, uma igreja muito bonita, fotogênica mas nem um pouco receptiva.

O que acontece na Igreja da Glória é que ela impede qualquer profissional, seja da fotografia, vídeo, cerimonial ou quem quer que seja de se aproximarem do altar. O sacristão chegou ao cúmulo de me chamar antes da cerimônia e dizer:

Sacristão: Ei fotógrafo, você já sabe as regras?

Eu: Sim sacristão, já sei. Não se pode subir no altar.

Ele: (sem graça). Isso, você só pode ir até o piso fosco. Não pode caminhar no piso brilhante.

Eu pensando: Como assim Bial? Piso fosco, brilhante, lajota, granito, pastilha, cerâmica. Muita informação. Vou fotografar  olhando pro chão agora?

A minha primeira reação foi de raiva pois desta forma eu não conseguiria fotografar a Mariana e o Fernando de frente. Não havia acesso a eles. Além disso estava há 8 metros deles. Robert Capa iria sofrer com isso. Não era dele a célebre frase… “Se sua foto não está boa o suficiente, você não está próximo o suficiente”. Logo me acalmei, coloquei a 135mm que quase não sai da bolsa e disse a ele:

Eu: Posso então sobrevoar o altar?

Ele: (mais sem graça ainda) Infelizmente são ordens!

Sim, são ordens. Ordens de quem, penso eu, de Jesus? A igreja para mim é supostamente a casa dele. Agora por acaso o Jesus não era aquele cara simples que nasceu numa caminha de palha no meio do nada? Aquele que andava descalço e comia pão com peixe? O tal que dizia que todos éramos irmãos. O que nos pediu que amássemos ao próximo como a nós mesmos? Jesus pra mim foi exemplo de humildade. Vixe, fiquei confuso. Eu sei que Jesus certamente lavaria meus pés! O que fica difícil entender é se pensando assim, será que ele proibiria eu e meus colegas de trabalho, suposto filhos dele, de caminharmos no piso brilhante da Igreja da Glória de Juiz de fora?

A maior parte dos obstáculos, durante as cerimônias, é imposto pela igreja católica. Sou testemunha disso. Já fotografei casamentos católicos em Belo Horizonte, Londrina, Curitiba, Feliz, Juiz de Fora, Florianópolis, Rio de Janeiro, Búzios, São Paulo e em diversas outras cidades grandes e pequenas no Brasil e fora dele. Posso dizer que já vi de tudo, e como vi. Cada igreja possui suas próprias regras que aliás são sempre bem vindas para que a coisa funcione.

Já fotografei também diversos casamentos Judaicos nos quais os Rabinos normalmente foram muito receptivos e não se molestaram com a nossa presença. Nos casamentos budistas, os monges estão mais preocupados com a paz interior, eles sabem que ela vem de dentro. Nos casamentos evangélicos já vi pastores sairem da minha frente na hora do beijo para facilitar meu trabalho. Já vi mãe de Santo me instruir no meio da cerimônia sobre os próximos passos do ritual. Um dia ainda quero fazer um livro sobre cerimônias. Estou juntando material para isso.

Não vou aqui ser injusto e dizer que em todas as igrejas católicas sou mal tratado mas sou categórico em dizer que  80% dos problemas que tive nas cerimônias estão em 20% daquelas igrejas que fotografei. Coincidentemente ou não eram todas elas Católicas, todas , sem excessão.  É a lei de Pareto mais uma vez em ação.

Talvez isso explique um pouco por que tanta gente hoje prefere fazer cerimônia e festa no mesmo local. Tá aí algo para se pensar não?

É preciso dizer que quem conta a história de momentos tão importantes como os casamentos somos nós, fotógrafos e videógrafos. Não estamos ali para brincar. Jesus quis que seu trabalho fosse contado depois de morto através do Evangelho não? Se existisse fotografia na época, tenho certeza que o Messias teria chamaria um fotojornalista na Santa Ceia, ou no mínimo não impediria que ele não se aproximasse.

Estou certo também que alguns profissionais da minha área agem com desrespeito para com os templos perturbando e tirando a harmonia durante a cerimônia. Existem profissionais e profissionais, assim como igrejas e igrejas católicas. Já ouvi diversos casos de profissionais, que atrapalham as cerimônias mas estes também se enquadram na lei de Pareto. São minoria e devem ser esclarecidos e devem ser chamados para que respeitem o ritual.

O meu único objetivo com este post é gerar reflexão por parte daquelas Igrejas que nos querem distantes assim como por parte dos fotógrafos  e videógrafos sem noção que muitas vezes impedem que a própria família acompanhem a celebração.

Deve haver uma outra solução a não ser essa, a proibição que é ignorante, inexcrupulosa e desrespeitosa para com o casal que não tem absolutamente nada com isso. Bom senso  e diálogo é a única palavra que me vem em mente agora. Quantas vezes os padres com muita educação já me chamaram antes com algumas recomendações e pedidos plausíveis?

Meus pai sempre me ensinaram que o forma de pedir algo é muito importante. Quem grita ou apela perde a razão no meu ver. E o melhor de tudo é que a cortesia sempre gerará cortesia.

Um abraço a todos os leitores, fotógrafos, videógrafos e líderes religiosos. Ninguém é mais importante que ninguém nessa história.

Somos todos iguais!

O que eu aprendi em Madrid

14 comentários | Artigos publicados, Workshops

De todas as minhas viagens e workshops procuro trazer uma lição. Para mim eles fazem parte dos ensinamentos da vida e esse é um dos principais motivos pelos quais invisto tanto na educação.

Este Workshop que ministrei em Madrid para mim foi muito intenso, principalmente pelos desafios e barreiras que lá encontrei. Foi a primeira vez na minha vida de professor, em 4 anos, que encontrei tanta resistência. Desde o primeiro minuto senti por parte de um grupo de alunos uma energia contrária, um medo incrível de mudar, preconceito e dificuldade em ouvir opiniões diferentes.

Para mim foi muito difícil este duelo energético pois essa energia poderia ser mais bem empregada no conteúdo e qualidade do workshop. Eu realmente não estava ali para provar nada para ninguém mas fui posto a prova durante os 3 dias de trabalho. Nos dois primeiros dias eu ainda estava sem entender o porquê de tudo isso e só no último assimilei e pude compreender o motivo pelo quais esses “alguns” alunos agiam de tal maneira.

A Espanha está passando hoje por uma mudança que outros países como o Brasil já enfrentaram recentemente. Os nervos estão a flor da pele pois a fotografia de casamento na península ibérica está mudando. Ela tem estado ultimamente de cabeça pra baixo e muitos conceitos que estavam até então arraigados tem caído. Contra as mudanças sempre há um vector contrário de forças daqueles que não querem aceitá-las ou que simplesmente tem medo do que vem depois. Estas pessoas tentam lutar com todas as armas que tem, normalmente através de discussões pouco nobres e até com ataques pessoais a outras pessoas e colegas de profissão. Normalmente elas não tem nada mais que isso ao seu favor.

Os sépticos lutam até o último momento, até a hora em que os clientes mostram a eles que o jogo acabou, que ele perdeu. Os nossos consumidores nos dão normalmente esta lição sem sem muito alarde. Eles não debatem, simplesmente desaparecem e nos deixam abandonados com essas ideias e valores ultrapassados. O mundo é dinâmico e seu processo evolutivo está cada dia mais acelerado.

Enquanto isso surge um grupo de fotógrafos, ainda com pouca experiência, fotógrafos de 2, 3 anos de profissão que avançam, conquistam novos terrenos, mudam os padrões do mercado, modernizam, atentem melhor os clientes e apresentam produtos de melhor qualidade. Estes fotógrafos fazem parte da nova geração que está aberta e de olho em tudo que acontece no mundo. Uma nova geração com mais clientes e com uma fotografia em pleno desenvolvimento.

Diante de tudo isso, o meu Workshop de Madrid, me ensinou muito. Aprendi que o que importa são os alunos que estão de coração aberto. Para este grupo, o que eu falo pode fazer alguma diferença pois eles tem sede e verdadeira vontade de mudar. Aprendi que me importa também  aquele grupo que me testou durante 3 dias. De alguma forma posso não ter falado o que esperavam de mim e o incômodo demonstrado por eles, é fruto de um “arrombamento psicológico” que eu provavelmente tenha iniciado em em suas cabecinhas lacradas. Algumas dessas mentes com certeza já sabiam que precisavam dar início ao processo de mudança e o que falei pode ter servido como agente catalisador. Esta frase de Albert Einstei pra mim diz tudo:

“Uma mente que se abre a novas ideias jamáis volta ao seu estado original” Albert Einstein

Em nenhum momento quis gerar tais sentimentos mas sei que eles fazem parte do processo. O que gostaria de poder mostrar a este grupo é como o mundo é mais colorido do outro lado do muro. Se a gente pudesse ver um vídeo da nossa vida após as mudanças não hesitaríamos em mudar tanto e rápido. Infelizmente a máquina do tempo da mudança ainda não foi inventada. Seria espectacular não?

Obrigado então Espanha, por mais essa lição de vida. Continuarei com meus workshops por ái. Em 2012 temos 2 projetos que revelaremos em breve aqui neste blog. Obrigado a todos os alunos que participaram desse encontro. Estou a disposição de vocês. O meu obrigado especial a Virginia Gimeno e Nano Cañas pelo empenho na organização do evento.

Um grande abraço a todos.

 

 


Yes, nós temos detalhes

8 comentários | Artigos publicados, Casamentos, Trabalhos Fotográficos

Vestidos dependurados, alianças na caixinha, em cima do convite ou em close sendo colocadas na hora da cerimônia, a noiva com seu brinco no espelho, bouquet em cima do véu, sapatos na janela… tudo isso são detalhes comumente encontrados hoje em dia nas coberturas de casamentos. Clichês que aprisionam fotógrafos.

Outro dia, ao fotografar um casamento no estado do Rio de Janeiro a organizadora do evento me perguntou:

“Você já fotografou as alianças em cima do convite?”. Que “meda”!

Detalhes são importantes. A vida é composta por deles, diga-se de passagem. No entanto sou contra o fato dos fotógrafos se prenderem apenas aos detalhes e se esquecerem da narrativa. Mais uma vez digo em alto e bom som – somos pagos para contar uma história! Esta possui detalhes sim mas a reportagem vai muito além e não para por aí. Há protagonistas, coadjuvantes, sentimentos, planos, cenários, etc e tal.

Percebo só hoje que os detalhes são os condimentos de uma cobertura fotográfica. Já fotografei alianças em cima de convites, acredite!

Os detalhes dão um toque especial a qualquer profissão.  Em algumas até colocam em risco a vida humana como na aviação. É…. há vezes em que esses pequenos detalhes fazem toda a diferença. Já diria Adolf Hitler, na Segunda guerra Mundial, quando teve sua tropa congelada na Rússia por ignorar um pequeno detalhe. Ele se esqueceu que era inverno rigoroso por lá avançou. E tem mais, o que difere o Homem da Mulher é um mero detalhe, uma letrinha Y! Eles são ingratos, muitas vezes passam desapercebidos mas são vitais!

Para nós fotógrafos de casamento diria que detalhes são aqueles pontos que os noivos se esquecerão e nunca mais verão se o fotógrafo não os registrarem!

Detalhes podem ser vistos de formas diferentes. Para mim cachorros são sempre detalhes. Há gente que pergunta se os levo para os casamentos. O detalhe está onde a gente coloca ênfase. O detalhe está onde os procuramos não?

O que fazer  diante de tudo isso?

Pesquise-os! Procure os que não estavam no script mas não se prenda a eles. Tente enxergá-los de uma outra forma e vá além pois um detalhe fotografado de forma inusitada se torna muito mais interessante.

Bom, para quem acha que eu não fotografo detalhes, aí vai um post bem “detalhado”. Espero que gostem! Ah, já ia me esquecendo de um detalhe. O nome de todos aqueles que contribuiram para os detalhes desse lindo casamento!

Fornecedores: Promoter: Marcelo Franchello / Maquiagem: Carlinhos Vasconcelos / Músicos da cerimônia:
Coral Elbano / Música da festa: Banda Wet / Convites: Casa 8 / Decoração: Beto Burim/Marcelo Franchello /
Bouquet: Beto Burim / Traje: Manuel Mota / Lembranças: Fabiana Valente havaianas com design do Mihail /
Buffet e Barman: Bufet Planalto / Bem casados: Conceição / Forminhas: Solange / Bolo: Xinese / Noivinhos:
Spineli SP / Filmagem: Fernando Ribeiro / Local da cerimônia: Igreja Dom Bosco / Celebrante: Mosenhor Vitor
Local da recepção: Buffet Planalto

Um grande abraço ao casal Mihail e Andréa. Saibam que esses detalhes foram fotografados com muito carinho!

 


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