Reinvenção: Wedding Juliana + Daniel

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“Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos. Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido. Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo. Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu.

Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: “Parar pra pensar, nem pensar!” O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação. Sem ter programado, a gente pára pra pensar. Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca.

Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se. Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto. Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida. Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.

Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo. Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos. Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.

Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada. Parece fácil: “escrever a respeito das coisas é fácil”, já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado. Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança. Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.

Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for. E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.”

Lya Luft




































Todas as minhas fotos serão inúteis se não brotarem do coração!

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“Todas as nossas palavras serão inúteis se não brotarem do fundo do coração. As palavras que não dão luz aumentam a escuridão.”

Madre Teresa de Calcutá

Casamento Camila + André. Obrigado a este casal SENSACIONAL e com muito amor para dar.

Vamos falar sobre concursos?

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Hoje acordei e como um viciado confesso, antes de me levantar peguei meu iphone e fui checar meus emails. Como de costume, haviam muitos desde a hora que fui pra cama ontem quando o chequei pela última vez. A grande maioria vinha de um tal de FACEBOOK. Sim, este é o meu remetente campeão. Há horas em que dá vontade de fechar a conta, mas felizmente esta ferramenta é extraordinária e creio que vale a pena receber tanta coisa, mesmo tendo bloqueado praticamente tudo.

Dentre os emails havia um da ISPWP – International Association of Wedding Photography, para mim a mais importante associação de fotógrafos de casamento da atualidade. Ela divulgava o resultado do seu último concurso. Com a vista ainda embaçada, eu acabara de levantar, pude ver que meu nome estava em terceiro lugar geral. Quem conhece a ISPWP sabe que é sempre importante e emocionante estar em sua lista de campeões. Quem não gosta de ganhar? Ainda mais numa associação dessas, a fórmula 1 da fotografia de casamento.

Acordei a minha esposa Ana, que só balbuciou algumas palavras, cansada. Já me pus de pé para entrar no computador e ver todas as imagens, grandes, que venceram as suas diversas categorias. Diga-se de passagem, cada dia com imagens mais belas e um nível altíssimo.

Tá, e daí? Parabéns pra mim então? O que isso tem a ver?

Vamos voltar para 2008 quando eu ganhei o concurso de álbuns diagramados promovidos pela editora Fhox. Depois veio em 2009 um nono lugar inacreditável, na época, no meu primeiro envio de imagens para a própria ISPWP. Ganhei confiança e também em 2009 ganhei o primeiro lugar geral da ISPWP.

Depois disso eu descobri que poderia investir mais tempo nessas competições e nunca mais parei. Vieram muitos outros prêmios e reconhecimentos de outras associações. Foram 4 anos com muitos prêmios que na maioria das vezes me trouxeram alegria mas também uma carga de energia negativa. Sobre isso prefiro não falar pois ela vem no pacote.

O motivo deste post é incentivar os fotógrafos brasileiros de casamento, como eu, a investir mais tempo e energia nas competições. Por que? É simples, tenho 3 bons motivos e espero que este post possa te encorajar.

1. Quando se ganha prêmios você é mais conhecido, pelos fotógrafos no Brasil e também de outras partes do mundo. Os casamentos que faço fora do Brasil, em sua maioria, se devem aos amigos fotógrafos estrangeiros que fiz e que me indicam. Fica bem mais fácil através dos concursos se lançar em uma carreira internacional.

2. As competições são excelentes agentes motivadores. Elas nos impedem de cair na rotina, na mesmice. Elas nos empurram e nos fazem fotografar cada casamento com mais afinco. Eu posso dizer que sou super competitivo e por isso adoro fotografar já pensando em quais imagens eu enviarei para os concursos dos meses seguintes. No final isso faz com que nosso trabalho esteja em constante evolução. Ganho o fotógrafo e ganham os noivos que contam com um profissional sempre motivado e disposto a criar algo diferente.

3. Quando se ganha prêmios você é mais conhecido pelos clientes (noivos) também. Sabe porque? Por que a mídia passa a te publicar. Eu me refiro a mídia expontânea em blogs, sites, jornais, revistas. Seu nome passa a ser mais cogitado e aos poucos vira objeto de desejo. Um objeto de desejo vale mais, pode acreditar! Um fotógrafo premiado é sempre mais cobiçado que outros que nunca venceram nada. Eu não estou dizendo aqui, de forma alguma, que os fotógrafos que nunca participam de prêmio não valem e são ruins, nada disso! O valor percebido de um fotógrafo com prêmios e reconhecimento internacional sempre será mais reconhecido.

Agora é hora de festejar um dos momentos mais importantes de minha carreira. Um abraço a todos e o meu desejo que participem e ganhem muitos prêmios.

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